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 México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo

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Alexandra Hanson
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MensagemAssunto: México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo   Ter Set 18, 2012 2:48 am

RP FECHADA
Vinte e cinco de Agosto de 1805
Quarta-feira, noite, aproximadamente 21:20
Chovendo, ventos frios, noite escura.

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Alexandra Hanson
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MensagemAssunto: Re: México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo   Ter Set 18, 2012 4:02 am




my new nightmare
Come on and show out your teeth And what you've got underneath 'Cause everyone's got troubles That's the way the story goes You don't need to get in trouble baby To see whats underneath your nose Oh 'cause if your feeling happy That's the place to let it show So just remember to, smile, smile, smile --- post 002
Assim que desaparatei senti a chuva cair sobre mim. Eu mantinha o isqueiro verde bem firme em minhas mãos, e apesar da chuva gelada e do vento frio, eu ainda me sentia quente.
Eu não fazia ideia de para onde estava indo, mas por alguma razão, eu sabia para onde deveria ir. Na verdade, parecia mais que meus pés sabiam o caminho que deveriam tomar e eu apenas deixava que me levassem. Passei por milhares de desconhecidos usando estranhos chapéus enormes, abrigados em bares e lanchonetes com cheiro de tacos.

E durante todo o caminho, eu me esforcei para me manter forte, para não me lembrar de nada, caso contrário, não tinha certeza se conseguiria continuar andando. Eu sentia meus olhos ardendo, minha garganta seca e cada parte do meu corpo parecia prestes a ter um colapso. Não sabia por quanto tempo mais conseguiria aguentar, me forçando a ser forte, mas sabia que estava prestes a desabar.

Foi quando eu o vi.

Na verdade, não foi como se eu o tivesse visto, exatamente, mas eu sabia, eu sentia, que aquela sombra caminhando com um jornal na cabeça era ele. Ainda mais quando o jornal rompeu-se e o garoto o atirou ao chão, irritado. Ele estava longe, quase alcançando uma barraca, só então reparei que o lugar onde eu estava era deserto. Foi quando comecei a correr.

Quinze metros. Eu ouvia o som da mobilha quebrando. Via o corpo do meu avô ser jogado para cima do armário como se ele não pesasse nada.

Dez metros. O som da explosão atingiu meus ouvidos, e eu podia ver os corpos dos meus pais serem estraçalhados sem dó e nem piedade. Podia ver o sangue escorrendo, a expressão de desespero no rosto deles. Meu coração apertou-se mais, era meu limite, eu não aguentava mais ser forte.

- P-PABLO! - eu gritei, enquanto corria aos tropeços e sentia meus olhos ficarem molhados, e não era por causa da chuva.

Cinco metros. Eu ouvi o grito de Sally. Ouvi a risada horrível do homem, a voz intimidadora, vi meus irmãos chorarem como bebês, senti toda aquela maldita impotência novamente. Vi a cena horrível da cabeça de Sally rolando para meus pés, do meu irmão ser enforcado bem ao meu lado, de Bruce sacrificando sua vida por mim.

Eu vi Pablo virar-se e então eu me choquei contra ele, o abraçando com toda a força que eu tinha, ou pelo menos, com toda a força que me restava. Escondi meu rosto no peito molhado dele, não me importava com a chuva, não me importava com o frio, eu só queria sentir que nem todos estavam mortos, que eu podia tocar alguém vivo ainda.

As lágrimas desciam descontroladamente pelo meu rosto, e mesmo que eu detestasse chorar, eu não conseguia parar. Não me importei se Bruce diria que eu estava sendo fraca, uma menininha, porque Bruce não poderia me dizer mais nada, nunca mais. Assim como eu jamais veria o sorriso de minha mãe novamente ao arrumar meu cabelo, ou ouviria a risada do meu pai ao me contar uma piada, e eu nunca mais jogaria bola com Edward ou tentaria brincar de bonecas com Sally.

Eu comecei a soluçar, foi quando senti Pablo segurar meu rosto e olhar bem para ele. Por causa das lágrimas e da chuva, eu não conseguia ver direito seu rosto, e eu não queria manter o meu erguido. Voltei a escondê-lo em seu peito e foi quando ele começou a andar, enquanto me abraçava. Eu não via para onde ele estava me levando, e pouco me importava com isso também, eu não me importava com mais nada, absolutamente nada.

E então senti que não chovia mais. Eu esfreguei meus olhos e notei que estava dentro de uma barraca. Ok, achei ser uma barraca, mas era grande demais para ser uma barraca comum. Talvez fosse só minha mente pregando uma peça em mim, porque eu duvidava que estivesse sã o suficiente para reparar onde estava.

E eu ainda chorava demais, Pablo fez com que eu me sentasse e senti o garoto colocar uma toalha em minhas costas, e ainda sem dizer nada, ele apontou a varinha para mim e começou a me secar. Mesmo sentada, eu me inclinei para ele e o abracei mais uma vez, como se eu pudesse me esconder do mundo naquele abraço. Mais lágrimas rolaram e eu comecei a soluçar mais alto. Que grande garota fraca eu era.

- Pp-p-par-parti-ti-tiram. T-to-to-dos el-eles... M-m-mo-mor... - eu tentei falar, mas eu não conseguia dizer aquilo em voz alta. Como poderia admitir que minha família inteira havia morrido em apenas uma noite? Não, eu não poderia. Tudo o que eu poderia fazer era esconder meu rosto no pescoço daquele garoto e chorar, ser fraca, porque eu jamais conseguiria ser forte novamente.



TAGGED: Pablo Santiago de la Vega NOTES: pra não variar, penso numa coisa, sai outra ¬¬ qualquer coisa edito amorinda *o* WEARING: click here CREDITS: SHINJI @ OPS!



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Pablo Santiago de La Vega
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MensagemAssunto: Re: México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo   Qui Out 11, 2012 1:33 am



+ Found my faith,
Living in sin.

Post ~ 001
Tagged ~ Alexandra Hanson
Notas ~ AÇÕES FINALIZADAS.
Demorei e escrevi esse troço>< Me perdoe! Qualquer coisa eu edito. ♥

Música que ele canta



Soltei um urro e saltei na cama, sentindo o meu corpo febril, a cabeça zonza, minha cicatriz queimar e meu estomago embrulhado. Os pesadelos vieram piorando de uma forma inexplicável nos últimos tempos e as minhas horas de sono diminuído, pra melhorar o meu bom humor.
Tossi algumas vezes e tirei a coberta que havia colado no meu corpo suado. Caminhei até o armário e quando abri só havia uma garrafa vazia de tequila e nada, nada pra comer.
- Mas que diabos... – Resmunguei batendo a porta do armário e voltando até a cama, em cima do baú que ficava no final dele peguei a calça e vesti, se era pra melhorar o meu humor ao menos tinha que comer alguma coisa, já que não voltaria a dormir de qualquer forma.

Coloquei a primeira camisa que vi pela frente e um casaco. Meu corpo ainda estava quente, mas ainda morria de frio.
- Ótimo febre, não pense que você vai durar, tenho um remédio muito bom contra você... Só preciso comprar minha tequila. - O tempo andava meio instável, o calor infernal da tarde era só um aviso do que viria.
- E você, vá caçar... Logo vai chover. – Lupita me encarou séria e empinou o bico, como se dissesse “vou quando quiser” e depois que continuei a encarar, ela entendeu o recado – de que eu não compraria nada pra ela – e voou pra fora da barraca.

Saí e comecei a fazer um caminho que bem conhecia, não sou de ficar muito tempo em um lugar, mas conheço muito bem um quando passo por ele, e assim não me perco. Já havia ficado nessa cidade há uns três anos atrás, bem antes de ir pra Hogwarts. As pessoas ali eram bem pacificas e não cheguei a ter nenhum problema, talvez tenha sido isso que me fez voltar.
Como era de se esperar havia alguma espelunca aberta e aproveitei pra me alimentar ali mesmo e pegar pra viagem uma garrafa novinha e maravilhosa da minha branquinha. A comida não era como a de um local familiar, e não chegava nem aos pés da comida de Hogwarts, mas quem se importa? É o que tem pra hoje. Depois de comer, tomei algumas doses de tequila e fumei um cigarro, só quando o barulho da chuva começou que resolvi voltar pra casa.

Como uma das minhas 5 mães postiças dizia, não era bom pegar chuva quando se estava com febre. Tá que eu já estava bem melhor, mas não podia ficar doente agora, tinha coisas pra fazer no final de semana e precisava está totalmente atento. Fechei o casaco e aproveitando que o bolso dele era muito grande, coloquei a minha garrafa ali e peguei um jornal sobre o balcão. Paguei a minha conta e sai, minha barraca não estava tão longe do vilarejo. Se tornou inútil usar aquele maldito jornal pra tentar me livrar de alguma coisa, no meio do caminho ele se rasgou e me encharcou da mesma forma.
- ¡Qué demonios! - Esbravejei, me livrando daquele bando de papel molhado e apertei o passo, já não estava tão longe.

Quando estava quase chegando em casa, ouvi uma voz me chamar. Pensei está imaginando coisa, afinal o que Alex faria ali? Mas ouvi passos correndo na minha direção e parei de caminhar me virando pra entender se não estava ficando louco de vez. E não estava... Senti alguém se colidir contra o meu corpo e me apertar bem forte. Arregalei os olhos e fiquei com os braços estendidos, até perceber quem estava ali de fato, talvez pelo seu cheiro... Mas ainda sim, parecia um tipo de alucinação.
A garota estava agarrada a mim soluçando e então levei as mãos até o seu rosto afastando-a um pouco, percebi que era ela mesmo. Como diabos Alexandra chegou ali? Coloquei a mão sobre a sua cabeça e a arrastei pra dentro da barraca, faria as perguntas mais tarde.

Assim que entramos na barraca, caminhei com a ruiva até a cama e fiz que ela se sentasse ali. Peguei a primeira coisa que vi pela frente, minha toalha, e joguei sobre a garota. Tirei a varinha do casaco e comecei a seca-la. Eu já estava terminando quando ela me abraçou e voltou a chorar, algo realmente ruim devia ter acontecido a ponto dela está nesse estado e recorrer logo a mim. Não sei o que me deixava mais incomodado, o fato de vê-la tão frágil, ou de não se capaz de fazer nada pra mudar isso.
Ela finalmente tentou falar e por mais que as suas palavras se embolassem nos soluços eu entendi, entendi o que aconteceu.

(Leia ouvindo isso, u.u)

- Shiu... Está tudo bem agora, eu vou cuidar de você. – Não estava bem, mas quando se está quebrado ao menos uma tentativa de reconstrução, já lhe serve. Era como se eu estivesse mergulhando em uma penseira e voltando no dia que a minha vida se tornou o que é hoje, ouvindo o grito dos meus “irmãos” e o desespero das minhas mães. O orfanato que eu cresci pegava fogo e homens encapuzados o vasculhava em busca de alguém. O choro das outras foi abafado pelo meu próprio choro, eu queria correr como todos e deixar que as chamas me consumissem, eu queria ser levado embora pela entidade que eu acreditei antes ser superior e o nosso criador, por quem eu chamava e implorava por misericórdia. E veio ela, a minha mãe mais velha, me pegou em seus braços e enquanto eu ainda esperneava e chorava ela começou a murmurar uma canção enquanto mantinha minha cabeça contra o seu peito, quente, onde podia ouvir um coração batendo calmo em meio a tanto caos. Com o tempo tudo foi se afastando, a voz dela abafou o som dos gritos, dos choros, das coisas se quebrando, enquanto ela me afastava e toda a dor tudo o que podia ouvir era aquela voz, ela me trouxe de volta.

(Pode parar de escutar a música :x )


Todo esse tempo enquanto me afogava nas minhas próprias lembranças, mantinha o corpo de Alex bem junto ao meu, enquanto roçava meus dedos suavemente pelos seus fios ruivos. De forma instintiva coloquei a minha perna atrás do corpo dela, encaixando-a assim, enquanto meu nariz estava afundado nos seus cabelos. Afastei um pouco e apoiei minha testa em sua cabeça, enquanto tentava recordar a letra de outra canção.
- A la nanita nana nanita ella, nanita ella. Mi niña tiene sueño bendita sea, bendita sea... – Minhas mães sempre me cantavam essa música pra acalmar meus sonhos e eu me sentia realmente patético por está desenterrando algo do meu passado e dividindo isso com Alex, mas as vezes quando estava com ela eu ajo por impulso.

Seu corpo pequeno junto ao meu, seu coração tão perto seguindo o mesmo ritmo que o meu, o cheiro gostoso e feminino que seus cabelos exalavam, a fragilidade por trás da força que ela tentava demonstrar todos os dias, a menina que ela é... A menina que não sai da minha cabeça. Toda vez que olhava pra ela, me perguntava: Como seria ter uma vida normal? Como seria casar e ter filhos? Como seria acordar com crianças pulando na cama, com os cabelos ruivos e olhos verdes como os dela? Ver aquele sorriso doce, ter nossas brigas habituais... Como seria viver assim? Só esses pensamentos me aqueciam de uma forma, era bom... E era só o que teria.

Esfregava as mãos sobre o braço dela, a fim de esquenta-la e a mantinha ali, enquanto aos poucos seu choro ia diminuindo e ela não soluçava mais, ou choramingava. Continuei a canção e fiquei ali com ela, até sentir seu corpo amolecer e ela entrar em um sono profundo, esperava que enquanto eu estivesse ali ela não tivesse pesadelos. Com muito cuidado deitei Alex sobre a minha cama e a cobri, depositando um beijo demorado sobre a sua testa e ficando ali, a observa-la, vigiando seu sonho, pronto pra protege-la.

**

Não preguei os olhos à noite toda. Pela manhã, deixei Alex dormindo tranquilamente e fui até o mercado mais decente, comprar coisas para o café da manhã. Ela precisaria comer bem antes de fazer qualquer coisa.
Quando entrei na barraca, Lupita estava empoleirada na beira da cama, vigiando a menina que parecia está despertando só agora.
- ¡Buen trabajo! – Disse deixando as coisas sobre a pequena mesa de madeira e caminhando até a ave. Deslizei os dedos pelas penas dela e em seguida ela subiu no meu braço, bicando a minha orelha sem força alguma, como costumava fazer.
- Bom dia. – Disse a ruiva quando despertou. Seu rosto ainda estava inchado e seus cabelos bagunçados, mas parecia especialmente bonita essa manhã.
- Comprei pão e coisas para o café, coma antes de ir. – Falei sentando em uma poltrona grande e antiga, com Lupita ainda no meu braço a encarando séria. A menina parecia distante e ainda estava sentida. Se ela soubesse o quanto demoraria, se soubesse o quanto ela pode se afundar se acabar se entregando a dor... Mas permaneci calado, apenas brincando com Lupita e tentando não deixar Alex constrangida, pela primeira vez na vida.

- Você definitivamente deve comer. – Levantei e deixei a Águia no braço da poltrona, então segurei Alex pelo braço e a fiz sentar à mesa.
- Se for preciso enfio tudo na sua boca... Não me faça ser grosso. – Ela fez uma careta e relutante mordiscou alguma coisa e bebeu um pouco de chocolate quente, que já comprei pronto.

Depois de comer, insisti em acompanha-la e ela resolveu não discutir comigo, já que não estava em posição pra isso. Aparatamos e eu caminhei com ela até a frente da casa onde ela disse que ficaria. Paramos e ela se virou, parecendo envergonhada com o que aconteceu, mas ainda sim agradeceu.

- Sem problemas. Apenas seja forte, como você sempre é. – Dei de ombros e ela mostrou um sorriso bem fraco, enquanto o silêncio voltou a se firmar entre nós. Ela se despediu e eu acenei com a cabeça.
- Antes... Me devolva. – Pedi. Depois de muito tempo raciocinando em como ela chegou até mim, só consegui chegar a uma conclusão.
- Você sabe o que... O que te levou a mim. – Ela pareceu entender ao que me referia e retirou do bolso o apagueiro verde, me estendendo. Eu segurei junto com a sua mão e a puxei pra perto, me inclinando pra ficar mais na sua altura e depositando um beijo suave e calmo sobre os seus lábios. Sabia que não resistiria, lutei muito comigo mesmo e no final eu me permiti fazer isso.
- Adiós niña. – Sussurrei depois de beija-la. Enfiei o meu precioso objeto no bolso e dei as costas, me afastando... Sem olhar pra trás.

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Alexandra Hanson
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MensagemAssunto: Re: México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo   Dom Dez 23, 2012 9:40 pm




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Não havia sentido algum em tudo aquilo que estava acontecendo. Eu me sentia perdida, flutuando no caos, porque não conseguia aceitar que meu mundo tivesse simplesmente acabado em segundos.

E agora eu estava ali, chorando tudo o que me era e não era permitido, no ombro de quem eu menos esperava, de quem qualquer um menos esperava. E, ainda assim, essa parecia a única coisa certa para aquele momento.

- Shiu... Está tudo bem agora, eu vou cuidar de você. - eu neguei com a cabeça, sufocando em meus soluços, não importava o que dissessem para mim, eu sabia que nada estava bem, nada nunca mais estaria bem.

Eu ouvia a chuva batendo no toldo da barraca, forte, trovões estourando lá fora, e eu me perguntei se o céu havia decidido demonstrar como eu estava por dentro. Pablo me mantinha em seus braços, me abraçando fortemente enquanto eu me desmanchava em lágrimas e soluços. Eu senti o garoto mover-se para me acomodar melhor perto dele, sentia ele mexendo no meu cabelo e sua respiração quente passar pelos meus fios ruivos. Eu agradecia por ele estar fazendo isso, porque era bom saber que ainda haviam pessoas vivas perto de mim.

- A la nanita nana nanita ella, nanita ella. Mi niña tiene sueño bendita sea, bendita sea... - ele começou a cantar, e eu não entendia uma só palavra do que ele dizia, mas de alguma forma, eu conseguia me manter presa à canção.

Eu fechei meus olhos e afundei mais minha cabeça em seu peito, me aconchegando melhor em seu abraço. Aos poucos eu comecei a me sentir aquecida, talvez fosse o calor do corpo de Pablo, ou eu quem estivesse perdendo um pouco do medo, me acalmando, mas eu me sentia confortável ali, e apesar de ainda me sentir estilhaçada por dentro, eu não conseguia mais chorar. Meus olhos começaram a ficar mais pesados, e minha mente começou a desligar-se, e enquanto Pablo cantava, eu ia mergulhando em meu sono.

---

Eu não tive sonhos.

Não sei dizer se foi melhor assim ou se eu preferia ter sonhado. A sensação de nada, de vazio, estava presente enquanto eu dormia, enquanto não via nada além de um completo breu e o som da chuva distante. Eu temia ficar assim para sempre, incompleta, e esperava que todo o ocorrido não passasse de um sonho quando acordasse.

Senti a claridade atingir meus olhos, esquentando minha pele. Abri preguiçosamente um dos olhos e constatei que realmente não estava em casa. Não havia ninguém ali, e por um momento isso me assustou, foi quando ouvi o piado fraco de um pássaro. A águia de Pablo estava empoleirada na cabeceira da cama, como se me vigiasse, e antes que eu pudesse constatar mais alguma coisa, Pablo entrou pela porta da barraca, falando com a águia e a acariciando. Eu esfreguei meus olhos, ainda sonolenta, e senti um gosto amargo na boca.

Nada havia sido um sonho.

- Bom dia. – eu olhei para o garoto, sentia meus olhos inchados e doloridos, minha cabeça parecia latejar, e mesmo parecendo a coisa errada a ser dita, aquele "bom dia" foi muito bem vindo, eu só não conseguia responder, porque não conseguia falar - Comprei pão e coisas para o café, coma antes de ir. - ele sentou-se em uma cadeira, a águia sobre seu ombro, e eu encarei a cama onde estava sentada, mas sem prestar atenção em qualquer coisa.

Ir para onde?

Eu não tinha para onde voltar, não tinha para quem voltar. Tudo o que me esperava era uma casa destruída e cheia de corpos sem vida, os corpos dos familiares que eu amava, da família que havia me escolhido entre tantas crianças para ser amada também. Eu não tinha para onde ir, mas mesmo assim, eu tinha que voltar. Eles mereciam um enterro digno, eu teria que cuidar disso, e então depois, quem sabe depois, eu iria ver para onde eu iria.

- P-Pablo... E-eu não... - eu me afoguei enquanto falava, minha voz saía muito baixa, e eu não conseguia formar frases inteiras, completas.
- Você definitivamente deve comer. - ele levantou-se da poltrona e caminhou até onde eu estava, me tomando pelo braço e me guiando até a mesa, fazendo com que eu me sentasse. Eu não sentia fome, e ver aquela comida toda ali para mim fez meu estômago embrulhar - Se for preciso enfio tudo na sua boca... Não me faça ser grosso. - eu olhei para ele e quase ri de sua sutileza. O garoto sentou-se perto de mim, como se fosse um recado de que ele cumpriria o que disse, então não vi alternativa a não ser comer um pedacinho do pão.

Comi (ou tentei) em silêncio. Havia tantas coisas que eu queria dizer para ele, principalmente agradecer pelo que ele havia feito e pelo que estava fazendo, mas eu ainda não conseguia falar. Depois que consegui comer o máximo que pude, eu me levantei, ajeitando a roupa e tentando colocar alguma ordem em meus cabelos, porque só então percebi que devia estar em um estado deplorável.

- P-Pablo, obrigada. Acho melhor eu ir agora. - o garoto levantou-se também, dizendo que iria me acompanhar. Eu não tentei discutir, sabia que não iria adiantar de nada, e no fundo, eu não queria me afastar dele tão rapidamente.

Aparatamos de volta em Londres, na rua onde eu morava. Não sei dizer que horas eram, mas eu tive sorte de não haver ninguém na rua. Caminhamos em silêncio, eu guiava o caminho, na verdade, meus pés me guiavam, e não fiquei surpresa por eles estarem me levando para a casa dos Deargan. Sabia que eu poderia contar com eles pra resolver tudo agora, e que Roisin me apoiaria e tentaria cuidar de mim. Eu quase estava em casa.

- Bem, eu fico aqui. - eu me virei para Pablo, mas não conseguia olhar diretamente para ele agora - Obrigada por tudo, Pablo. Nunca vou conseguir te agradecer como devo. - eu disse meio baixo, estava surpresa por conseguir finalmente voltar a falar.
- Sem problemas. Apenas seja forte, como você sempre é. - ele deu de ombros e eu tentei esboçar um sorriso que não ficou muito bom. Ficamos nos olhando por um tempo, eu ainda queria dizer muito mais, agradecer muito mais, mas algo me prendia.
- Então... Tchau. - eu acenei de leve, Pablo acenou com a cabeça e eu dei as costas.
- Antes... Me devolva. – voltei a olhar para ele, sem entender. Devolver? Eu franzi a testa, sem conseguir entender o que ele dizia - Você sabe o que... O que te levou a mim. - eu ergui as sobrancelhas em compreensão. Claro.

Cuidadosamente, eu tirei o isqueiro verde de meu bolso, meio envergonhada por estar com algo que não era meu, e o estendi para o garoto. Pablo o tomou junto com minha mão e me puxou, aproximando nossos corpos, curvando-se até tocar meus lábios. Foi o suficiente para eu acreditar que ainda existiam pessoas vivas, foi calmo e suave, e, Merlin, eu precisava daquilo. Sentia falta daquilo.

Senti os lábios do garoto afastando-se dos meus, mas mantive meus olhos fechados o tempo todo.

- Adiós niña. - o ouvi sussurrar e só então abri os olhos, apenas para vê-lo dar as costas e ir embora.

Eu toquei meus lábios e suspirei. Apesar de me sentir perdida como nunca, eu tinha a sensação de que podia confiar naquele garoto. Sim, tinha horas que eu queria bater nele até fazê-lo sangrar, mas em outros momentos, eu só queria tê-lo como ontem, perto, me abraçando, me confortando. Eu queria ser o conforto para ele da mesma forma como ele havia sido para mim, mas Pablo era mais forte do que isso. Não precisaria de mim.

Entretanto, outros assuntos precisavam de mim agora. Eu mirei a casa dos Deargan e respirei fundo, caminhando em direção à porta, enquanto imaginava como daria a notícia.



TAGGED: Pablo Santiago de la Vega NOTES: meh meh, finalizando podremente a ação, ihul .-. ações finalizadas WEARING: click here CREDITS: SHINJI @ OPS!



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México - 25.08.1805 - RP Fechada - Alex e Pablo
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